#187 por SophiaMarx
09 Mai 2017, 02:45
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Visão Geral

13 Reasons Why, ou Os 13 Porquês, em português, é a série mais polêmica do momento, principalmente entre crianças e os adolescentes, o que acaba também envolvendo as suas famílias e escolas.

A série americana, produzida e distribuída pela Netflix, conta a história de Hannah Baker (Katherine Langford), uma estudante do ensino médio, bonita, vinda de uma família estruturada (pai e mãe presentes, ainda casados e afetuosos), boa aluna, interessada em poesia e cheia de expectativas com a faculdade que, de repente, sucumbe às dificuldades e decide tirar a própria vida. Hannah deixa entre seus amigos 13 fitas cassetes (sim, aquelas antigas), explicando os motivos que a levaram àquela drástica decisão. A própria menina decide quem deverá ouvi-las e em qual ordem, deixando um colega responsável por coordenar a distribuição.

Durante os 13 episódios, cada um correspondendo a uma das fitas deixadas, acompanhamos a jornada de seu amigo Clay Jensen (Dylan Minnette) ao ouvir as fitas e suas reflexões acerca dos motivos expostos.

Já no início da série reparamos duas coisas, Clay é uma das pessoas mais sensatas presentes na vida de Hannah (além de estudarem juntos, eles também trabalhavam juntos no cinema da cidade) e outra, ficamos sabendo que vários colegas dela já haviam tido acesso às fitas e tinham receio de um possível vazamento do conteúdo, que poderia vir a incriminá-los.

Clay, desde o início, demonstra estar abalado pelo suicídio da amiga e, apesar de ter presenciado alguns dos ‘motivos’ expostos nas fitas, lamenta que aquilo, no momento, não tenha parecido importante para ele, apenas chatices da vida escolar – que o próprio Clay tirava de letra, pois, embora não fizesse parte do grupo dos mais descolado, conseguia se sentir alheio à maioria das intrigas e bobagens, demonstrava uma autoconfiança realmente surpreendente, uma compreensão de que aquelas situações seriam passageiras e, em breve, ele viveria a vida que bem escolhesse.

Bullying, a crise do momento(?)

Bom, tentando evitar spoilers, posso garantir que o público teen irá se identificar com a maioria dos motivos expostos, e isso é o que mais preocupa as famílias, escolas e até mesmo governos de países como Canadá, que propuseram boicote à série.

Sejamos realistas, relembrando nossos tempos de escola (se é que é preciso voltar no tempo), quem nunca teve uma amiga ou amigo falso? Quem nunca se interessou por alguém e não foi correspondido? Quem nunca teve ou viu sua família passar por problemas financeiros? Quem nunca bebeu demais ou passou vergonha perante colegas?
Por isso, repito, como não se identificar? Ainda mais se você tem idade semelhante e está presente no ambiente escolar...

O Grande e Último Porquê

Bom, não vou entregar todos os motivos contidos naquelas 13 fitas mas posso dizer que o décimo segundo é especialmente relevante e o décimo terceiro é aquele que realmente a leva a cometer suicídio (nas palavras da própria narradora).

A razão principal para o ato é explicada como a falta de auxílio e apoio dentro da própria escola, esta seria a gota d’água para tirar a própria vida. A falta de amparo, falta de esperança, falta de uma palavra amiga, de um adulto responsável que a ajudasse a ‘colocar as coisas no lugar’.

É verdade, na última fita a menina procura ajuda, conversa com o diretor/psicólogo da escola, conta parte do que tem passado, fala sobre o episódio horrível apresentado na fita número 12 e não recebe o que procurava. Não recebe sequer a empatia do seu ouvinte. O diretor apenas expõe algumas possíveis soluções, deixando clara até a sua opinião pessoal – de que seria melhor esperar alguns meses, terminar o ensino médio e apenas deixar tudo aquilo para trás.

Ok, os problemas de Hannah não eram pequenos, ainda mais nesta fase, por volta dos 15 anos, quando tudo pode parecer o fim do mundo, e sua iniciativa de procurar a escola, especialmente um homem, para desabafar na esperança de resolver ao menos alguma das situações foi incrivelmente corajosa, mas, pelo menos para mim, ficou nítida – além da falta de tato do diretor da escola (é verdade) – que, para ele, aquele assunto era quase trivial, com certeza já tinha ouvido e/ou tinha ciência de muitos fatos semelhantes.

Por que ele não tomou uma atitude? Por que uma pessoa capacitada para lidar com adolescentes não conseguiu sequer ser solidária? Por que aquilo - para ele – de alguma forma foi considerado normal? Por que a menina não teve o auxílio que precisava no momento em que pediu ajuda? Apesar de expor alguns motivos pessoais do diretor, que o teriam distraído durante a conversa com a menina, esta última pergunta permanece sem resposta, torna-se apenas uma fatalidade.

A Série Ajuda ou Atrapalha?

É posível vê-la como uma espécie de alerta para pais e escolas, afinal, nem sempre as pessoas têm a coragem de expor seus problemas e sentimentos e, quando o fazem, devem sim ser levadas a sério, mas não sei até que ponto é aconselhada para crianças e adolescentes de idade semelhante à da personagem, já naturalmente tão influenciáveis.

Afinal, em todos os momentos 13 Reasons Why conta de forma romanceada fatos quase corriqueiros da vida estudantil, não que sejam aceitáveis, não que sejam certos, não que sejam ideais, mas acontecem. Praticamente todos passam por isso e não são motivos para cometer suicídio!

Bullying (com esse nome ou outro qualquer), sempre existiu, assim como o preconceito e a intolerância às diferenças, e, diferentemente de outras histórias que tratam dramas escolares, Hannah era menina branca, eleita até mesmo como uma das mais bonitas da escola, era inteligente, tinha boas notas, os pais continuavam casados e eram amorosos tanto entre si quanto com ela, ela chega até a despertar interesse do rapaz que gosta (mas neste momento da trama se diz sem esperanças no amor e nos homens - Oi? Aos 15 anos?), os pais tinham sim algumas dívidas mas chegam até a trocar de carro para emprestar um novo para Hannah ir dirigindo ao baile!

Razões Justificadas?

Na minha opinião, é aí que mora o perigo. São mesmo razões para se matar? Não seriam apenas fases da vida que superamos alguns anos depois, quando conhecemos amigos mais sinceros e temos relacionamentos amorosos saudáveis? Depois que sabemos (ou não) qual carreira seguir, depois que nos estabilizamos financeiramente (ou não)?

É na adolescência que começamos a ter acesso aos problemas da vida adulta, parafraseando o tio do SpiderMan, “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”, os adolescentes querem dirigir mas não conseguem suportar a culpa ou assumir a responsabilidade de um acidente, bebem sem pensar que podem ficar vulneráveis, confiam sem pensar que nem todos merecem confiaça. Erram. Erram por inocência. Erram por maldade. Erram por inconsequência. Erram por acreditar na sorte. Erram porque erram.

Não seria justamente nesta fase que aprendemos que nossas ações têm consequência? Todos os adultos não passaram por isso?

Conclusão

Os problemas não aumentaram de uma geração para a outra. Às vezes, parece que esta nova geração - inundada por informações - não se fez mais forte, parece que foi justamente o oposto. Estamos criando seres muito mais sensíveis e fragilizados, que tomam antidepressivos desde a infância e se matam por total falta de expectativas!

Se para Hannah a vida parecia não ter mais sentido, que seria de meninas como a Preciosa (http://www.imdb.com/title/tt0929632/?ref_=nv_sr_2) ou do Juan de Moonlight (http://www.imdb.com/title/tt4975722/?ref_=nv_sr_1)?

O que será dos adolescentes com problemas infinitamente maiores ao assistirem a Hannah (não canso de repetir: menina linda, inteligente, classe média confortável, totalmente saudável e cheia de vida) dizendo que não há esperança nem razões para viver? Justamente ela, que tem praticamente tudo?

Acredito que seja totalmente improdutivo (para não dizer irresponsável) passar este tipo de mensagem, ainda mais em épocas de Elefante Rosa surgindo por aí...

Concordo que filmes e séries com conteúdos realistas sejam bons, do tipo que o casal não fica fica junto no final da trama, como em (500) Dias Com Ela (http://www.imdb.com/title/tt1022603/?ref_=nv_sr_1) ou o bandido não vai parar na prisão, como em A Qualquer Custo (http://www.imdb.com/title/tt2582782/), afinal, nem sempre temos finais felizes mesmo, mas até nestes casos ainda tem um quê de esperança, pois a vida continua e mais amores virão, outras formas de pegar o bandido também.

E quanto ao suicídio de Hannah Baker aos 15 anos? Qual é a lição que fica (principalmente) para os adolescentes?
Anexos
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